Exercite o raciocínio lógico, de um modo diferente e divertido, com planilhas de cálculo para resolver problemas cotidianos em processos de aprendizagem

Muita gente recorre a uma planilha de cálculo online ou desktop, em boa parte dos casos, para fazer o que está indicado em seu nome: cálculos. Além disso, gráficos, também, estão no topo dos recursos mais utilizados por esse tipo de ferramenta.

Esses dois recursos são muito interessantes, mas há um outro, geralmente, pouco utilizado – ou utilizado em casos muito específicos – que são as funções. As funções servem, dentre outras coisas interessantes, para dar à planilha interatividade e um “comportamento” que responde de modo lógico aos dados que recebe.

Portanto, as funções “transformam” uma planilha em um objeto interativo que “responde” aos dados inseridos pelo usuário de maneira “inteligente” de acordo com o que foi instruída a fazer com eles.

Nesse sentido, podemos pensar em, por exemplo, fazer uma planilha decidir entre um caso e outro de acordo com algum tipo de situação. Vamos exemplificar de um modo bem simples: você insere um número em uma célula e instrui a planilha a mudar a cor dessa célula e mostrar uma frase em outra de acordo com o valor inserido pelo usuário. Você pode, ainda, mostrar uma outra frase – em uma célula diferente – que analisa a frase anterior checando, por exemplo, se há alguma palavra específica nela.

Digamos, se o número inserido for igual a 10, essa célula ficará verde, senão ficará vermelha e frases diferentes serão mostradas em outra célula relacionadas a algo que você escolher nos dois casos. Em seguida, você pode checar a presença de alguma palavra que quer pesquisar na frase mostrada.

Visualmente, teremos informações mais ricas e claras sobre o que está acontecendo. Nesse exemplo simples, podemos constatar duas coisas importantes: (1) A ajuda do aspecto visual significando algo – nesse caso, se o valor inserido é ou não igual ao número 10 -; (2) O raciocínio lógico envolvido na construção dessa “instrução” à planilha e nas frases escolhidas.

Com relação às frases, podemos implementar a nossa lógica com as seguintes análises/decisões:

  1. Se o número for igual a 10, uma determinada célula mostrará a frase “O valor da célula é igual a 10.”; caso contrário, mostrará a frase “O valor da célula é diferente de 10.”.
  2. Baseado nessas frases, podemos, ainda, mostrar, em outra célula, se a frase atual contém determinada palavra – por exemplo, a palavra “diferente” ou a palavra “igual”.

Quais funções utilizaremos nesses casos? A função SE – ou IF – para decisões e a função REGEXMATCH para a correspondência de palavras. No caso da verificação se há determinada palavra na frase e, a partir disso, retornar outra, se coloca a função REGEXMATCH dentro de uma função IF, ou seja, se houver correspondência, faça algo, senão faça algo diferente. Não se assuste com uma função que tem um nome, aparentemente, estranho como REGEXMATCH ou por nunca ter ouvido falar nela. Pesquisar e ler sobre ela – ou qualquer outra função – é parte do processo de aprendizagem.

Veja o passo a passo de como fazer isso em uma planilha – baseado na nossa planilha Google:

  1. Escolha uma célula, no nosso caso a H3, e insira:
    =SE(H6 = 10; “O valor da célula H6 é igual a 10.”; “O valor da célula H6 é diferente de 10.”)
  2. Escolha outra célula para inserir o valor a ser analisado; no nosso caso é a H6.
  3. Escolha, ainda, outra célula, no nosso caso a H9, e insira:
    =SE(REGEXMATCH(H3; “diferente”); “A frase da célula H3 contém a palavra DIFERENTE.”; “A frase da célula H3 contém a palavra IGUAL.”)
  4. Para a formatação condicional da cor da célula H6, clique em “Formatar”, no menu superior da planilha, e, em seguida, em “Formatação condicional”. Escolha as cores e as Regras de formatação.
  5. Pronto. Agora é só testar!

Explicação do item 1:

Se o valor da célula H6 for igual a 10, mostre o texto “O valor da célula H6 é igual a 10.”, senão mostre o texto “O valor da célula H6 é diferente de 10.”.

Explicação do item 3:

Se a palavra “diferente” estiver presente na célula H3, mostre o texto “A frase da célula H3 contém a palavra DIFERENTE.”, senão mostre o texto “A frase da célula H3 contém a palavra IGUAL.”.

As funções devem ser escritas de acordo com regras – o que chamamos de sintaxe – para que a planilha “entenda” o que deve ser feito. A sintaxe não é muito intuitiva quando se começa a trabalhar com elas – repare na presença de ponto e vírgula, aspas e parênteses por exemplo -, mas, com o tempo, a gente se acostuma.

Num primeiro momento, principalmente por conta disso, as funções podem parecer intimidadoras, mas, com a prática, tudo ficará mais fácil. A ideia é “quando precisar fazer algo, pesquise e entenda o que a função faz e como ela deve ser escrita e utilizada”. Nesse sentido, eu optei por usar o Planilhas Google para essa abordagem por ser gratuito e online, mas, também, porque, além disso, quando se digita “=” em uma célula e, na sequência a função que se deseja, há uma ajuda bem didática que aparece ligada à própria célula que está sendo utilizada, contribuindo para o aprendizado das funções. A proposta para quem está começando é perder o medo e ir fundo errando aqui, acertando ali para, a cada dia, ganhar mais fluência com as funções. Só com a prática e o tempo, de fato, se aprende a lidar com elas, bem na linha do “mão na massa” e da “cultura do fazer”.

Utilizar funções em planilhas pode ser um modo divertido e muito interessante de exercitar o raciocínio lógico criando “objetos/soluções” úteis que podem nos ajudar em questões acadêmicas e, até, na resolução de problemas do nosso dia a dia.

Baseado nessa abordagem, recomendo a utilização de funções em planilhas nas mais diversas situações de aprendizagem e nos mais variados contextos e locais – escolas, online, em casa etc.

Utilizar o raciocínio lógico na resolução de problemas é uma das mais importantes habilidades do século 21. Veja esse exemplo simples, mas muito útil e interessante para uma determinada finalidade, e comece a produzir as suas próprias planilhas interativas baseadas em funções lógicas de acordo com as suas ideias, propostas e necessidades, exercitando, também – e muito! -, a criatividade.

Link da imagem utilizada nesse post

Prof. Carlos Sanches

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